
“É no Oriente, e em especial no Extremo-Oriente, que as coisas communs da creação ou os usos e costumes triviaes da vida são susceptíveis de merecer um tal requinte de solemnidade sentimental e de praxes de rito, que constituam um verdadeiro culto.”

“Segundo a tradição da gente japoneza, Darumá, o grande apostolo indiano do buddhismo, veio á China ahi pelo começo do seculo VI da nossa era christã, e em terras chinezas prégou em honra da verdade, illuminando o espirito dos povos.
Consta que, por voluntaria desistencia das ephemeras alegrias terreaes, Darumá votou-se a passar a vida de joelhos sobre o solo pedregoso, absorto em contemplações mysticas, sem mesmo permittir-se o simples regalo de dormir. Tantos annos permaneceu de tal maneira, que as pernas se lhe gastaram, claro está; e é assim, sem pernas, só com a cabeça e com o tronco, envolto n’um manto carmezim, que ainda hoje é figurado.”


“Consta mais que, em certa noite, as palpebras se lhe cerraram de fadiga, e o bom Darumá deixou-se adormecer, para só acordar pela manhã. Então, pedindo a alguem uma tesoira ou instrumento parecido, cortou a si proprio as palpebras indignas e arremeçou-as ao solo, n’um gesto de despeito…"

"As palpebras, por milagre, enraizaram-se, dando nascença a um gracioso arbusto nunca visto, que medrou mui de prompto e cujas folhas, tratadas de infusão pela agua quente, fôram um remedio precioso contra o somno e contra o cansaço das vigilias. Estava conhecido o chá; tem pois na China a sua origem, e é coisa santa, como se acaba de provar. Crê quem quer; mas devo advertir que este livro foi escripto para os crentes.”