31 May 2009

séc. XII-XIV

Até à segunda metade do séc. XVI, os mestres de chá eram predominantemente monges Zen. Mas já durante o periodo Kamakura (1192-1336) o hábito de beber chá tinha começado a difundir-se pelas outras classes. Primeiro pelos Senhores feudais, mais tarde pelos comerciantes e restantes membros do povo.

Eram populares os encontros para escrever e recitar poesia e concursos para adivinhar a proveniência do chá servido.

Myoue (ou Kouben) 明恵

(1173-1232)

Plantou chá em Toganoo e depois em Uji.
Mais tarde também fez transplantações para outros locais como Yamashiro, Omi, Yamato, Iga, Ise, Suruga e Musashi.

Afirmou que o chá contribuia para as seguintes 10 virtudes:
1. Protecção divina;
2. Piedade filial;
3. Livrar dos maus espíritos;
4. Sono natural;
5. Harmonização das funções do corpo;
6. Saúde e longevidade;
7. Amizade;
8. Corpo e mente sãos;
9. Livrar das preocupações;
10. Paz de espírito, mesmo nos últimos momentos de vida.

Eisai (ou Eisai Denji ou Myouan Yousai) 栄西

(1141-1215)

Fundador da Escola Budista Japonesa Rinzai e do Kenni-ji.
A ele se atribui a introdução no Japão da “arte” de preparar o chá verde em pó - mátchá -, inicialmente apreciado como estimulante, e usado para prevenir que os monges adormecessem durante a longas horas de meditação.

Em 1214 escreveu um tratado sobre as virtudes de beber chá: “Kissa Yojo Ki” - Notas sobre as propriedades curativas do chá.

16 May 2009

Imperador Saga 嵯峨天皇

(786-842)
52º soberano (reinou de 809-823)

O “Nihon Kouki” (日本後記) - Crónica Velha do Japão - é indicado por diversas fontes como sendo o documento Japonês mais antigo em que é feita referência ao chá. O livro diz que o Imperador Saga, no dia 22 de Abril de 815, foi fazer uma excursão pela margem leste do lago Biwa e que, ao passar pelo Bonshaku-ji*, o bonzo Eichu do referido templo, preparou e ofereceu-lhe uma taça de chá.
* o sufixo “ji” significa templo budista

Em Junho do mesmo ano, e presumivelmente como resultado desse gesto, foi emitida pelo governo uma ordem instruindo a plantação de chá, em locais adequados nos arredores de Kyoto, no intuito de fornecer a Casa Imperial de tal produto.

Saichou (ou Dengyou Daishi) 最澄

(767-822) ou (764-822)

Em 805 aquando do seu regresso ao Japão, após uma estada num mosteiro budista Chan (Zen) na China, trouxe consigo sementes de chá que terá plantado no sopé do monte Hiei, a nordeste de Kyoto, onde se situava o seu templo.

Mais tarde, em 815, no reinado do Imperador Saga, Saichou plantou mais arbustos de Camellia sinensis nas provincias de Omi, Harima e Tamba, tendo também estabelecido regras para a apreciação do chá.

Saichou foi o fundador da Escola Budista Japonesa Tendai.

Imperador Shomu 聖武天皇

45º soberano (reinou de 724-749)
A mais antiga referência sobre o chá como bebida no Japão, remonta a 729. Ano em que este imperador convidou uma centena de bonzos para o seu palácio imperial para assistirem a uma palestra sobre o “Daihannyakyou” - Sutra da Grande Sabedoria - após a qual terá sido servido chá.

O Culto do Chá, Wenceslau de Moraes, 1905


“É no Oriente, e em especial no Extremo-Oriente, que as coisas communs da creação ou os usos e costumes triviaes da vida são susceptíveis de merecer um tal requinte de solemnidade sentimental e de praxes de rito, que constituam um verdadeiro culto.”


“Segundo a tradição da gente japoneza, Darumá, o grande apostolo indiano do buddhismo, veio á China ahi pelo começo do seculo VI da nossa era christã, e em terras chinezas prégou em honra da verdade, illuminando o espirito dos povos.
Consta que, por voluntaria desistencia das ephemeras alegrias terreaes, Darumá votou-se a passar a vida de joelhos sobre o solo pedregoso, absorto em contemplações mysticas, sem mesmo permittir-se o simples regalo de dormir. Tantos annos permaneceu de tal maneira, que as pernas se lhe gastaram, claro está; e é assim, sem pernas, só com a cabeça e com o tronco, envolto n’um manto carmezim, que ainda hoje é figurado.”




“Consta mais que, em certa noite, as palpebras se lhe cerraram de fadiga, e o bom Darumá deixou-se adormecer, para só acordar pela manhã. Então, pedindo a alguem uma tesoira ou instrumento parecido, cortou a si proprio as palpebras indignas e arremeçou-as ao solo, n’um gesto de despeito…"


"As palpebras, por milagre, enraizaram-se, dando nascença a um gracioso arbusto nunca visto, que medrou mui de prompto e cujas folhas, tratadas de infusão pela agua quente, fôram um remedio precioso contra o somno e contra o cansaço das vigilias. Estava conhecido o chá; tem pois na China a sua origem, e é coisa santa, como se acaba de provar. Crê quem quer; mas devo advertir que este livro foi escripto para os crentes.”